quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ela estava lá, serena. E tudo lhe parecia no devido lugar. Os sapatos espalhados pelo chão do quarto, os livros desarrumados nas estantes. A psta de dente jogada na pia. O espelho manchado. O montinho de poeira varrido, mas não jogado fora, no canto da sala.
Sentiu-se livre. Livre para deixar as estantes empoeiradas, para não arrumar a cama. Sentia um certo prazer no no mini-caos particular de seu lar. Ela sabia exatamente onde encontrar o que queria, mesmo que fosse embaixo de uma pilha de roupas espremidas no armário.
Mas não abusava dessa liberdade. Seu lar era perfeitamente habitável, aconchegante até. As pessoas que lá chegavam também sentiam-se livres, à vontade. Nada daqueles ambienntes onde tudo está tão em ordem que dá medo de sentar, ou passar, e desarrumar e sujar aquele trabalho, outrora feito com tanto esmero por alguém. Não. A mesa não estava suja, mas estava lotada de bagulhos, que iam desde chaves de casa até bananas, passando por folhas de propaganda de pizzaria, brincos, pentes... O sofá não estava empoeirado, mas estava repleto de rugas, típicas de muitas sentadas seguidas. Os farelos de coisas se espalhavam por toda a bancada da cozinha. Havia meia dúzia de copos não-lavados na pia.
E, ela, estranhamente, gostava disso.
Por que sabia que não tinha momento exato para arrumar a cama. Tirar as coisas de cima de mesa. Ajeitar a sala. Limpar a cozinha.
Se quisesse, poderia até deixar a revista da semana no banheiro, para a próxima vez que se recolhesse.
Era tudo no seu tempo. No seu controle.
E não tinha como não gostar disso.

Eu já pensei...

Quando eu era menininha, sempre que me faziamm a pergunta clássica "O que você vai ser quando cresceeer?", eu sempre tinha uma resposta na ponta da língua. Não que fosse sempre a mesma, mas eu sempre tive muita certeza do que eu queria.
Nunca sonhei em ser médica "pra ajudar as pessoas" ou veterinária, "pra cuidar dos bichinhos". Nem em professora, nem em bommbeira, nem em policial (apesar desses dois últimos serem desejos mais comuns de molequinhos, né?)
Eu queria é ser desenhista. De história em quadrinhos. Queria trabalhar tipo com o Mauricio de Souza, sabe? Minha infância era regada a chegadas quinzenais de uma remessa de revistinhas. Duas assinaturas da Turma da Mônica e uma da Disney. Eu adorava.

Também pensei em trabalhar com filmes de desenho animado. Meus pais eram donos de locadora, então, outra coisa que fez parte massivamente dos meus tempos de moleca eram filmes da Disney. Cara, como eu adorava o Hércules. Tinha a boneca da Mulan. Além, é claro, de ter chorado horrores com a morte do Mufasa no Rei Leão, entre outras coisas. Mas eu sempre gostei de desenhar, sempre gostei de desenho, e até hoje acho fantástico trabalhar com o encanto das pessoas, assim.

Eu também já quis muito ser escritora. Ganhar a vida, assim, escrevendo. Aliás, tenho esse desejo até hoje (apesar de não saber bem como faze-lo...). Mexe, de novo, com essa questão de encanto, de prender a atenção das pessoas, de fazer elas se emocionarem.

Mas todas as coisas mexem com as duas paixões da minha vida, que é escrever (em primeiro lugar) e desenhar.
Deixo claro: Não que eu seja uma puta escrivinhadora ou uma puta rabiscadora... Sou mediana, até. Mas eu gosto, uai, fazer o que?