quinta-feira, 27 de março de 2008

Olá meus caros mancebos.

Aqui vai um texto que eu fiz hoje lá pra escola e acho que vou tirar um zero com a seguinte justificativa: “julgamento de valor” haiuheiuhaiuheiuhaiueh

POR JAMILI ZANON BONICENHA.

PROPOSTA: O projeto de Lei da senadora Benedita da Silva qualifica como crime o assédio sexual.
Sua tarefa é redigir uma carta argumentativa que convença seu interlocutor de que ele está equivocado quanto às idéias expressas no depoimento dele.

Alexandre Moreira Souza – Engenheiro

Aos 34 anos, penso que não é possível tratar uma legislação fora do contexto social em que será aplicada. A cultura brasileira tem na imagem do “amante latino”, daquele que vê na conquista a prova da sua masculinidade, um traço característico. Como dissociar “sensualidade” e tudo o que gira em torno dela de um padrão de comportamento que já está incorporado às relações entre homens e mulheres brasileiros? Aqui a conotação de desrespeito se perde diante da tolerância com que as mulheres sempre reagiram a cantadas e paqueras, o que, na verdade, já faz parte do comportamento que se espera dos homens. Com essa base cultural, fica muito difícil distinguir “paquera”, “cantada” e “assédio”. Para situações mais violentas, os crimes de estupro e atentado violento ao pudor já estão previstos por lei. Por isso, considerar o que se chama de “assédio sexual” como crime é uma violência contra a própria cultura do país.
(Extraído da do jornal O Norte)


Vitória, 27 de março de 2008.
Prezado Alexandre Souza,

Espanta-me que em pleno século XXI, uma pessoa com formação superior, como você, possa justificar o assédio sexual levando em conta a sensualidade da mulher latina. Lamento lhe dizer, mas essa é uma opinião fundamentada em costumes machistas. Seu depoimento no jornal “O Norte”, Alexandre, acabou sendo baseado em um parecer de caráter moralista.
Primeiramente, senhor, a nossa lei de proteção às mulheres, criada pela senadora Benedita da Silva, visa principalmente acabar com a manipulação de quem tem um certo poder hierárquico, como professores e chefes de empresas, sobre mulheres que não conseguem ascender profissionalmente se não cederem aos caprichos levianos de seus mentores.
Ainda lhe digo que esses casos não se tratam de simples “paqueras” e “cantadas”, dessas que a gente ouve na calçada ou no ônibus. São situações graves e de difícil comprovação judicial. Podem arruinar a carreira de uma profissional se a mulher não for orientada corretamente para obter provas do suposto crime.
Além disso, Alexandre, sou obrigada a admitir que algumas (atenção! Algumas) mulheres usam o charme latino para provocar os homens. Porém, tratando-se de assédio sexual, você não pode considerar uma opinião dessas, ou seja, generalizada. Como ficam as mulheres que são incomodadas por homens indiscretos sem sequer ter nenhuma malícia?
Portanto, espero que o senhor reveja suas opiniões acerca da mulher brasileira e suas dificuldades perante à tradição patriarcal, principalmente as que buscam igualdade no meio sócio-profissional, uma vez que não vem sendo fácil igualar a mulher ao homem numa sociedade em que há pouco tempo seres do sexo feminino só serviam para procriar.

Atenciosamente,

PS: Depois eu conto pra vocês a minha nota UHEAUIEIHAUIEHIUHAEUI
PS2: Críticas são bem-vindas

2 comentários:

Unknown disse...

Feminista!
hauahuahauahaua

Thamara disse...

Gostei MUITO do seu texto, amiga. Você vai fechar a redação, vai passar no vestibular pra medicina e vai ganhar dinheiro com o sofrimento dos outros... AUHEIHEIHEIH brincadeirinha
Saudade. Seus textos estão cada vez melhores! :)