HOLLYWOOD CONTRA FINAIS FELIZES
É isso aí. A academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos não quer mais finais felizes nos seus filmes. Ontem, sexta-feira, fui ao cinema ver “Sangue Negro”, filme que recebeu 8 indicações ao Oscar 2008. Afinal, o que teria de bom num filme cuja capa tem um homem quarentão de bigodes estilo “senhor feudal”?
Assim que chegamos, minha prima disse olhando pra mim “Esse é o filme que a gente vai ver?”. Caramba, fiquei constrangida logo no começo da sessão. Também tava pensando o mesmo que ela, algo do tipo “Nossa, vai ser uma monotonia só”. Pior, levei mais outras duas amigas além dela. Diversão na certa.
Pois bem, além das 8 indicações, o ator Daniel Day-Lewis (o mesmo do sinistro “Meu pé esquerdo”) ganhou o Oscar e o Globo de Ouro por causa de sua atuação nesse filme. Que monstrengo! O cara é fabuloso. Ele consegue simplesmente carregar nas costas mais de duas horas de filme, ele fala, age, grita, tudo sozinho. Acho que eu não conseguiria fazer isso por cinco minutos, imagina por duas horas? Daniel Day Lewis encarna, literalmente, o doidinho Plainview, um empresário do ramo petrolífero.
Então, galera, aí vai minha dica. O filme é meio estranho mas passa uma mensagem anti-solidão muito legal. E voltando ao título, não tem final feliz. Se você não gosta desse tipo de filme, não vá ao cinema. Além desse, acompanha no mesmo estilo “Onde os fracos não têm vez”, o vencedor do Oscar de melhor filme. Parece que o tal do final feliz já era.
ENTREVISTA DE DAY-LEWIS À REVISTA ÉPOCA (trechos)
ÉPOCA - O personagem de Sangue Negro, assim como os de O Último dos Moicanos, A Era da Inocência e Gangues de Nova York lida com a psiquê americana em seu estado mais primitivo. Por que você se sente atraído por papéis assim?
Day-Lewis - Procuro não examinar meus personagens diretamente, acreditando que fiz escolhas inconscientes. Mas uma parte de mim sempre fica intrigada por personagens assim, talvez por eu ser um outsider da cultura americana.
ÉPOCA - Você é conhecido como um ator metódico. Há algum tipo de informação externa, seja ela um livro, um quadro, uma frase famosa, um maneirismo qualquer, que o ajuda a compor um personagem?
Day-Lewis - Não. Um personagem para mim precisa apresentar-se sempre em sua inteiridade. Naturalmente que às vezes é necessário conquistar certas habilidades para poder interpretá-lo, mas jamais desmembro partes do personagem para depois costurá-las. Não consigo trabalhar assim. Tento permanecer inconsciente durante todo o período de desenvolvimento de um personagem.
ÉPOCA - Nos últimos 15 anos, você fez apenas seis filmes, o que ajudou a fomentar essa aura de misterioso, difícil e perfeccionista que hoje o acompanha. O que você tem a dizer sobre isso?
Day-Lewis - Na verdade, atuar é uma coisa muito fácil e prazerosa para mim. E minha decisão de fazer um filme é sempre muito rápida. Basta eu ler um roteiro e notar uma tentação irresistível. A fama de ator-relutante que me acompanha tem a ver com a simples questão que tento responder a mim mesmo ao pensar num novo trabalho: será que estou preparado por entregar-me de corpo e alma e emprestar três anos de minha vida, o que é um grande naco de existência humana, a um personagem? Assim que essa pergunta é respondida de um modo positivo, a sensação passa a ser prazerosa. Sempre.
sábado, 29 de março de 2008
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4 comentários:
Concordo plenamente =p mas vc quis dizer final feliz ou final nenhum hauhaua =p
fora isso a historia eh boa.. mas da proxima vez minha vez de escolher hehehe
=**
eu gosto de filmes que não tem final feliz, uhaeiuhae - que deprê! mas eu acho que sem um final feliz, parece ser mais realista. por isso que adoro filmes europeus, porque eles retratam mesmo como funcionam as coisas nesse nosso mundinho. mas quando sair no dvd talvez eu até pegue esse filme!
Sei lá ... mas ainda bem que os "finais felizes" escassearam. E isso é répresentativo: somos artisticamente, eu diria, dominados pela visão romantizada das coisas; estamos acostumados - talvez até mal-acostumados - ao final em que tudo se acerta, como nas novelas globais e nos romances. Nós desejamos isso! É bom quando o cinema, na verdade a arte como um todo, mostra aquilo que não queremos ver.
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